
Tradicionalmente marcado por ações de conscientização sobre o câncer do colo do útero, o Março Lilás também abre espaço para uma reflexão mais ampla: a saúde da mulher precisa ser vista de forma integral, contínua e preventiva, e não apenas diante de um diagnóstico.
Os números reforçam a importância do alerta. De acordo com projeções divulgadas em fevereiro de 2026 pelo Instituto Nacional de Câncer (INCA), o Brasil deverá registrar cerca de 19.310 novos casos de câncer do colo do útero por ano no triênio 2026–2028, um crescimento de aproximadamente 13% em relação ao período anterior. Apesar de ser uma doença altamente evitável por meio da vacinação contra o HPV e da realização periódica do exame preventivo, o país ainda contabiliza entre 6 mil e 7 mil mortes anuais pela doença. Óbitos que, em grande parte, poderiam ser evitados.
No Rio Grande do Norte, a estimativa é de 330 novos casos em 2026.
Para especialistas, o debate do Março Lilás precisa ir além do rastreamento da doença. A prevenção do câncer do colo do útero envolve vacinação, acesso à informação e acompanhamento regular. No entanto, a saúde da mulher não pode ser lembrada apenas em campanhas. Ela inclui avaliação das mamas, planejamento reprodutivo, saúde mental, controle de doenças crônicas e qualidade de vida.
O autocuidado deve ser entendido como rotina, e não como reação a sintomas. Isso inclui consultas ginecológicas periódicas; realização do exame citopatológico, conforme recomendado pelo Ministério da Saúde – indicado para mulheres de 25 a 64 anos -; mamografia na faixa etária preconizada; atualização do calendário vacinal; acompanhamento hormonal, quando necessário; e atenção aos sinais do próprio corpo.
O Brasil também precisa avançar para cumprir as metas estabelecidas pela Organização Mundial da Saúde (OMS) para eliminar o câncer do colo do útero como problema de saúde pública nas próximas décadas. Trata-se de uma das neoplasias mais preveníveis. Quando há morte por essa doença, muitas vezes há falhas no acesso à prevenção e ao diagnóstico precoce.
Nesse contexto, o Março Lilás reforça que cuidar da saúde feminina vai muito além de um único exame. A prevenção passa por informação de qualidade, acesso aos serviços de saúde e, principalmente, pela incorporação do autocuidado à rotina. Não basta reagir ao diagnóstico. É preciso construir uma cultura de prevenção permanente, que assegure às mulheres o direito de viver mais. E viver melhor!
